• Minicurso Humanidade

Humanidade e não-humanidade no pensamento ameríndio

O Programa de Pós-Graduação em Filosofia e o Departamento de Filosofia convidam todos os acadêmicos e público geral interessado para o Minicurso "Humanidade e não-humanidade no pensamento ameríndio", ministrado pelo prof. Marco Antonio Valentim (Departamento de Filosofia/UFPR).

Data: 05 e 06 de Agosto de 2014
Local: Auditório do CCH - bloco H-35
Horário: das 18h30 às 22h30
Inscrições gratuitas

Informações sobre inscrições e o programa do minicurso estão na página do minicurso.

Inscrições e informações

As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas pessoalmente na Secretaria do DFL ou por email até o dia 05 de Agosto de 2014. Para quem optar pela inscrição via email, deverá anexar a ficha de inscrição preenchida ao email e enviar para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Ficha de inscrição

Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Av. Colombo n.5.790 – bloco H-35 sala 001
Maringá - Paraná
Telefone: (44) 3011-8983
E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Ilustração: Arco e flecha araweté. Foto: Eduardo Viveiros de Castro. Fonte: http://img.socioambiental.org/v/publico/arawete/arawete_19.jpg.html

Programa

Título: Humanidade e não-humanidade no pensamento ameríndio
 
Ministrante: Marco Antonio Valentim (Departamento de Filosofia/UFPR)
 

Nos primeiros tempos, quando os ancestrais animais se metamorfosearam, suas peles se tornaram caça, e suas imagens, espíritos. É por isso que os espíritos consideram sempre os animais como ancestrais, assim como eles, e é assim que os nomeiam! Mas nós também, nós que comemos da caça, nós sabemos que se trata de ancestrais humanos tornados animais! São habitantes da floresta, assim como nós!
Davi Kopenawa Yanomami

 
Resumo: Pretende-se apresentar um conjunto de ideias ameríndias, principalmente amazônicas, acerca da relação entre humanidade e não-humanidade, a fim de discutir o sentido filosófico da tese antropológica geral que Eduardo Viveiros de Castro formula para resumi-las: “Na Amazônia, é a aliança com o não-humano que determina as 'condições intensivas do sistema'”. Para tanto, procurar-se-á reconstruir uma multiplicidade própria ao pensamento amazônico, garantida pelo estudo de diversas etnografias. Elas revelam, de diferentes modos (por vezes, divergentes), que o sentido do humano na América indígena depende, sobretudo, do complexo não-humano ao qual se encontra constitutivamente vinculado – e isso a ponto de a diferença entre humanidade e não-humanidade consistir aí, antes que em uma separação substancial ou essencial, em uma distinção entre aspectos ou perspectivas dos “mesmos” sujeitos e pessoas cósmicas; trata-se do assim chamado “perspectivismo cosmológico ameríndio”. Nesse contexto espiritual, como evidencia exemplarmente o discurso de Davi Kopenawa, a complexidade do não-humano é configurada pela diferença entre animais e espíritos enquanto diferença “interna ou intensiva” (Viveiros de Castro) aos próprios “humanos”. Percorrendo esse itinerário etnográfico, tentar-se-á preparar uma consideração comparativa sobre a equivocidade do humano no plano da divergência ontológico-política entre o “antropomorfismo” ameríndio, exemplificado por diferentes variações do perspectivismo cosmológico, e o “antropocentrismo” moderno, representado especialmente pelo cosmopolitismo kantiano e pela ontologia fundamental de Heidegger.
 
Recomenda-se a leitura dos seguintes textos, de autoria de Eduardo Viveiros de Castro

O nativo relativo
Esboço de cosmologia yawalapíti
Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena

Plano de aulas e bibliografia (as três partes serão ministradas ao longo de duas sessões):
 
Parte 1: Antropocentrismo moderno e antropomorfismo ameríndio
 
LÉVI-STRAUSS, C. Jean-Jacques Rousseau, fundador das ciências do homem. In: C. Lévi-Strauss, Antropologia estrutural dois. Tradução de B. Perrone-Moisés. São Paulo: Cosac Naify, 2013.
 
KANT, I.Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. Tradução de R. Naves e R. R. Terra. Edição bilíngue. São Paulo: Brasiliense, 1986.
 
_____. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Tradução de Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2005.
 
HEIDEGGER, M. Carta sobre o humanismo. In: M. Heidegger, Marcas do caminho. Tradução de E. Stein. Petrópolis: Vozes, 2008.
 
_____. Introdução à filosofia. Tradução de M. A. Casanova. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
 
VIVEIROS DE CASTRO, E. Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena. In: E. Viveiros de Castro, A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2002.
 
_____. Xamanismo transversal: Lévi-Strauss e a cosmopolítica amazônica. In: R. C. de Queiroz & R. F. Nobre. Lévi-Strauss: leituras brasileiras. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
 
KOPENAWA, D. & ALBERT, B. La chute du ciel: paroles d'un chaman yanomami. Paris: Plon, 2010.
 
 
Parte 2: “O solo etnográfico do perspectivismo”
 
NANSI (Núcleo de Antropologia Simétrica), “O solo etnográfico do perspectivismo (1), (2), (3) e (4)”. Projeto AmaZone: https://sites.google.com/a/abaetenet.net/nansi/a-on%C3%A7a-e-a-diferen%C3%A7a-projeto-amazone. Acesso em: 09/01/2014.
 
VIVEIROS DE CASTRO, E. Esboço de cosmologia yawalapíti. In: E. Viveiros de Castro, A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
 
_____. Araweté: os deuses canibais. Rio de Janeiro: ANPOCS/Zahar, 1986.
 
_____. Imanência do inimigo. In: E. Viveiros de Castro, A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2002.
 
BARCELOS NETO, A. O universo visual dos xamãs wauja (Alto Xingu). Journal de la société des américanistes, 87, 2001, pp. 137-160.
 
_____. “Doença de índio”: o princípio patogênio da alteridade e os modos de transformação em uma cosmologia amazônica. Campos, 7(1), 2006, pp. 9-34.
 
_____. Witsixuki: desejo alimentar, doença e morte entre os Wauja da Amazônia meridional. Journal de la société des américanistes, 93(1), 2007, pp. 73-95.
 
LIMA, T. S. O dois e seu múltiplo: reflexões sobre o perspectivismo em uma cosmologia tupi. Mana, 2(2), pp. 21-47, 1996.
 
_____. Para uma teoria etnográfica da distinção entre natureza e cultura na cosmologia juruna. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 14(40), pp. 43-52, 1999.
 
_____. Um peixe olhou para mim: O povo Yudjá e a perspectiva. São Paulo: Editora UNESP, 2005.
 
DE CIVRIEUX, M. “Medatia”. In: M. de Civrieux, Watunna: An Orinoco Creation Cycle. Edited and translated by D. M. Guss. Austin: University of Texas Press, 1997.
 
VILLAS BOAS, Orlando & VILLAS BOAS, Claudio. “Avatsiú: a linguagem dos pássaros (Kamaiurá)”. In: O. Villas Boas & C. Villas Boas. Xingu: os índios, seus mitos. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
 
 
Parte 3: O perspectivismo cosmológico como contra-ontologia
 
HEIDEGGER, M. Meditação. Tradução de M. A. Casanova. Petrópolis: Vozes, 2011.
 
CLASTRES, P. “Do Um sem o Múltiplo”. In P. Clastres, A sociedade contra o Estado. Tradução de T. Santiago. Prefácio de T. S. Lima e M. Goldman. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
 
DELEUZE, G. & GUATTARI, F. O que é a filosofia? Tradução de B. Prado Jr. e A. A. Muñoz. São Paulo: Editora 34, 1997.
 
MANIGLIER, P. Manifesto para um comparatismo superior em filosofia. Veritas, 58(2), 2003, pp. 226-271.
 
STENGERS, I. The Cosmopolitical Proposal. In: B. Latour & P. Weibel. Making Things Public. Atmospheres of Democracy. Cambridge: The MIT Press, 2005.
 
VIVEIROS DE CASTRO, E. “No Brasil, todo mundo é índio, exceto que não é”. In: R. Sztutman (org.), Encontros: Eduardo Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Azougue, 2008.
 
_____. Métaphysiques cannibales: lignes d’anthropologie post-structurale. Traduit par O. Bonilla. Paris: Presses Universitaires de France, 2009.
 
HOLBRAAD, M., PEDERSEN, M. A. & VIVEIROS DE CASTRO, E. “The Politics of Ontology: Anthropological Positions”. Cultural Anthropology: http://culanth.org/fieldsights/462-the-politics-of-ontology-anthropological-positions. Acesso em: 21/03/2014.

Joomla templates by a4joomla